terça-feira, 27 de setembro de 2011

"a verdade não rima"

Quem cala morre contigo
Mais morto que estás agora
Relógio no chão da praça
Batendo, avisando a hora
Que a raiva traçou
No incêndio repetindo
O brilho de teu cabelo
Quem grita vive contigo

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

um pequeno encanto de felicidade...

Agora eu moro num sebo...rs


em vinte e poucos anos

os primeiros dias sonharam

e os seguintes realizaram
 
pequenos encantos de felicidade


[trecho de "vermelho e de cetim"]

terça-feira, 20 de setembro de 2011

livros

por caetano veloso

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria

Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.

domingo, 18 de setembro de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

da série: aprendendo com o mestre

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

a gente do avesso é agonia pura

um pedaço de copacabana

não é mais a mesma.

a fotografia do amanhecer na praia
perdida
e o frio, a chuva
nuvem enterrando a paisagem
dão o novo tom

o grito da janela do apartamento
perdido
cada qual em seu silêncio, sua vida
sua solidão cercada de coisas e amigos

ninguém caminha pelo calçadão
nem na areia
não há turistas
o mar secou

desmancho a tecitura de uns versos
duas da manhã
desço pra comprar alguma distração em cigarros
[mas a boca] e a banca vinte e quantro horas não está

eu e meu guarda-chuva quebrado
dialogando com poças d'água
e sons remotos circundando

aperto o passo
estão todos escondidos pelos cantos
e minha dor é saber que não me notam

por sermos todos iguais

termos a mesma face

longe do brilho de outrora

da velha e boa copacabana

sábado, 13 de agosto de 2011

tente usar a roupa que eu estou usando

peça meu livro querendo te empresto
se inteire da coisa sem haver engano
baby te amo nem sei se te amo